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Três décadas após o icônico momento de When Harry Met Sally, em que Meg Ryan transforma um restaurante em palco para um orgasmo encenado, o tema continua atual e mais desconfortável do que deveria.
A discussão voltou à superfície com declarações de Nicole Kidman sobre seu desempenho no filme Babygirl, onde interpreta múltiplos orgasmos em cena. O que parecia apenas um detalhe de atuação reacendeu um debate antigo. Por que, em pleno 2026, mulheres ainda fingem prazer?
A resposta não está no cinema. Está na realidade.
Segundo análise do psiquiatra Rentão Almeida, o fenômeno vai além da sexualidade e revela um padrão emocional mais profundo.
Fingir orgasmos não é sobre sexo. É sobre comunicação interrompida, insegurança emocional e, muitas vezes, uma tentativa de evitar conflito ou encerrar uma experiência desconfortável.
A prática, frequentemente relatada em estudos internacionais, continua sendo comum. Pesquisas ao longo das últimas décadas apontam que uma parcela significativa das mulheres já fingiu orgasmo em algum momento, muitas vezes para preservar o ego do parceiro ou simplesmente finalizar o ato.
O ponto crítico, segundo Almeida, não está no comportamento isolado, mas no que ele representa.
Quando alguém precisa performar prazer em vez de vivê-lo, existe um desalinhamento. Pode ser emocional, relacional ou até cultural. E isso, ao longo do tempo, cobra um preço.
O cinema contemporâneo tenta reposicionar a narrativa da sexualidade feminina, explorando autonomia, desejo e complexidade. Ainda assim, a realidade segue marcada por silêncios e concessões.
A diferença entre fantasia e insatisfação também é central nesse debate. Desejos mais ousados fazem parte da individualidade e não necessariamente indicam um problema. Já a incapacidade de expressar insatisfação aponta para uma desconexão mais profunda.
Em um cenário onde relações são cada vez mais expostas, discutidas e analisadas, o fato de o orgasmo ainda ser simulado levanta uma questão inevitável.
Não se trata mais de desconhecimento.
Trata-se de escolha, hábito ou ausência de diálogo.
E talvez seja exatamente aí que reside o problema.
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