A Warner Bros. Discovery decidiu encerrar a conversa com a Paramount Skydance do jeito mais direto possível. Em janeiro, o conselho de administração recomendou, de forma unânime, que os acionistas rejeitassem a oferta hostil liderada por David Ellison. O argumento foi objetivo: a proposta não atende ao melhor interesse da empresa.
O problema não é apenas o valor em jogo. O que pesa é a estrutura. A Warner afirma que a oferta depende de um nível extraordinário de endividamento, o que aumenta a chance de a transação não ser concluída. No fim, a conta pode cair no colo do acionista.
Samuel A. Di Piazza Jr., presidente do conselho da WBD, reforçou que a proposta segue abaixo do valor esperado e cria riscos reais de execução. Ao mesmo tempo, a empresa fez questão de comparar com um segundo caminho. A Netflix, segundo o conselho, oferece mais valor e mais certeza.
Em dezembro, Ted Sarandos anunciou um acordo definitivo para adquirir a Warner Bros. por US$ 82,7 bilhões, a US$ 27,75 por ação. O detalhe mais importante está no recorte: a Netflix ficaria com os estúdios, a HBO e o streaming HBO Max, mas deixaria de fora a divisão Global Networks. Esse braço, que inclui canais como CNN e TNT Sports, seria desmembrado e listado separadamente como Discovery Global.
Essa decisão mostra que o streaming deixou de ser sobre volume. Agora é sobre reputação, estabilidade e domínio de catálogo premium. A Netflix não está apenas comprando conteúdo. Está tentando comprar a aura que só marcas históricas ainda conseguem sustentar.
Foi nesse cenário que David Ellison entrou com força. Sua proposta era total e agressiva: US$ 30 por ação, cerca de US$ 108 bilhões, em dinheiro, incluindo os canais a cabo. A ambição segue o estilo do executivo, que trata esse tipo de disputa como corrida de longa distância, não como tentativa única.

O ponto frágil é a engenharia financeira. A Paramount Skydance teria buscado apoio externo, incluindo fundos soberanos do Oriente Médio. A Affinity Partners, ligada a Jared Kushner, chegou a ser mencionada, mas teria recuado. Depois disso, Larry Ellison, pai de David e cofundador da Oracle, teria entrado como fiador, com uma contribuição estimada em US$ 40 bilhões.
Mesmo assim, a Warner manteve a posição. Em carta aos acionistas, reforçou que a proposta da Paramount é inferior ao acordo com a Netflix, principalmente pelos custos e incertezas.
A história, porém, está longe do fim. Ellison pode voltar com uma oferta reformulada, reduzir o peso da dívida e pressionar de novo. Também pode apostar no desgaste e esperar qualquer ruído na rota entre Warner e Netflix.
No centro de tudo, uma verdade simples: essa disputa não é só sobre mídia. É sobre controle. E quem controla a maior fábrica de narrativas do planeta nunca costuma aceitar um não com facilidade.
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